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quarta-feira, 2 de abril de 2008

BLUE MOUNTAINS 6 - Sítio Aborígine

Antes de voltarmos, o guia parou o ônibus para que víssemos de perto uma inscrição aborígene. Parou numa rua comum, no meio de um dos bairros entre Wentworth Falls e Penrith, fez todo mundo saltar e entrar por um caminhozinho enlameado que dava numa clareira pequenininha, de frente pro quintal de um condomínio, e lá estava ele, o canguru aborígene:



Ele explicou que os membros viajantes das tribos faziam este desenho na pedra pelos lugares onde passavam, e deixavam pra quem viesse atrás (às vezes a tribo inteira) - a cabeça do canguru indicando a direção tomada, a cauda a direção de onde vieram. Desta forma, faziam um mapa que podia indicar para onde ir e por onde voltar. Espertos, né?



Fiz uma pesquisazinha básica na internet, e aqui vai um resumo do que li pra vocês conhecerem um pouco mais sobre os autóctones australianos:

Os aborígenes têm um sistema de crenças chamado Dreamtime, conjunto de lendas da tradição oral que formam uma mitologia de criação do mundo (e por mundo entenda-se Austrália).

O Dreamtime designa a era que precede o tempo, o tempo antes do tempo, antes da criação da Terra, um período onde tudo era espiritual e imaterial. Os aborígenes acreditam que é possível a comunicação com os espíritos através dos sonhos - sendo possível, dessa forma, decifrar maus presságios, doenças e outros infortúnios. E isso sem precisar de ajuda de pitonisa, hein, é só fazer um tête-à-tête com os antigos.

Na concepção aborígene, cada acontecimento deixa um traço na terra, e tudo na natureza deriva da ação dos seres metafísicos que criaram o mundo (como Baiame, um dos espíritos totêmicos que formaram A Criação; primeiro ser entre todos, Baiame deu forma a si mesmo sonhando com a sua forma - que ainda não existia quando ele sonhou. Captaram?). Assim, o Dreamtime dá significação a lugares e formações naturais, e dita que todas as formas de vida fazem parte de um complexo conjunto de interações cuja origem remonta ao tempo dos espíritos ancestrais da época do sonho.

Os criadores ancestrais se deram variadas formas (plantas, lugares, animais, pessoas, vales, montanhas, rios, estrelas, etc), estabeleceram relações entre todos os grupos de indivíduos, percorreram a terra dando origem a histórias que os associam aos lugares por onde passaram e/ou se fixaram, e tranformaram-se, enfim, em outros objetos/animais. Por isso, para os aborígenes, o passado está sempre vivo – porque o espírito vital dos antepassados permanece ligado a essas formas.

Algumas versões (existem várias culturas aborígenes na Austrália) dizem que os espíritos se retiraram da terra à medida em que o tempo do sonho se perdia. A cosmogonia aborígene talvez seja a mais antiga do mundo, remontando a 50 mil anos (as histórias são repassadas também pelas pinturas rupestres). Para o povo existem duas formas de tempo: a objetiva, das atividades diárias, a outra o Dreaming, mais real ainda – porque o que acontece no “sonho” estabelece os valores, simbologia e leis da sociedade aborígene.

Cada uma das histórias que formam o Dreamtime se relaciona com uma determinada paisagem, e, à medida em que uma paisagem se liga à outra, formam-se trilhas (ou Songlines) que cruzam todo o território australiano. É por meio dessas trilhas que as tribos aborígenes se comunicam entre si.

Quem quiser conhecer mais sobre a mitologia aborígene, pode clicar aqui ou aqui. Tem ainda uma listinha de lendas muito legais aqui.

segunda-feira, 31 de março de 2008

SOBRE SYDNEY

Pesquisando no google, descobri que Sydney é uma cidade imensa dividida em 14 regiões. Cada uma dessas regiões se divide em vários concils, ou municipalities - bairros que funcionam como centros responsáveis por um grupo de bairros ao redor.

Algumas regiões são:

- Inner Sydney: que compreende 20 concils, entre eles City of Sydney (ou o centro). Pra vocês terem uma idéia, só a city tem 48 bairros (entre eles, Circular Quay e Rocks). Outro concil dessa área conhecido de vocês é Manly.

- Outer Sydney: que compreende 17 concils. Parramatta, por exemplo. Minto, onde moro, é um bairro que pertence ao Campbelltown City Concil.

- Sydney Surrounds: compreende 5 concils, entre eles Blue Mountains (onde fica Katoomba e Leura, bairros que visitei).

Essas 3 regiões são mais próximas da city, mas existem ainda outras 11, totalizando mais de 100 concils!

Portanto, aprenda menino, aprenda menina: ao contrário do que eu disse no primeiro post sobre Blue Mountains, Penrith é uma municipality de Outer Sydney, e não uma cidade.

domingo, 16 de março de 2008

DESCOBERTAS EXTRAORDINÁRIAS

A verdade é que a calça jeans tá meio apertada, e com certeza a culpa é de um dos maravilhosos produtos abaixo. Tá bom, vou refazer a frase: a culpa é de todos os produtos abaixo, e mais alguns.

Vamos aos vilões:


1 - Essa garrafinha é uma tentação: o Skyy Blue é um drink à base de soda e vodka Skyy. Tem vários sabores (limão, lima, laranja e grapefruit), mas meu preferido é definitivamente o de romã, esse galã aí da foto. Duas garrafinhas e eu durmo que é uma beleza!





2 - Sou louca por biscoitos amanteigados, e aqui é o paraíso dos cookies. Tem lojas só de cookies. Com macadâmia, com chips de chocolate, gelatina, berries, enfim, com tudo que vocês possam imaginar. Esse aqui é o campeão da semana, o Venetian da Arnott's. Tem um tipo de berry na massa, e uma cobertura super delicada de baunilha e côco. Derrete na boca.


3 - Sorvete é a maior invenção de todos os tempos, e o Chocolate Rock, da Homer Hudson, é o rei de todos os sorvetes. Tudo bem que gosto de sorvete puro, sem pedaços de coisas, e esse aqui infelizmente tem pedaços de chocolate. Mas é tão bom, tão bom, mas tão bom que vale a pena o sacrifício de tomar o sorvete jogando pouco a pouco o chocolate fora.


4 - Existe uma bebida chamada Ginger Ale que é uma delícia. É um refrigerante feito de gengibre, mas parece guaraná. Já experimentei algumas marcas, e a que mais gostei foi a australiana Kirks. Como ela é usada em vários drinks (Shirley Temple, por exemplo), deve ser relativamente fácil de se encontrar no Brasil.


5 - Tá indo pros EUA? Então por favor compre uma latinha de Toffee-ettes da See's e mande pra mim. Vou tentar explicar do que se trata: imaginem uma paçoca crocante com chocolate. Realizaram? Felizmente foi presente de um amigo do Erick que acabou de voltar de viagem, e não dá pra encontrar por aqui - senão teria que comprar outra calça jeans, dois números acima do atual (que, acreditem, já é muito alto mesmo). Irresistible bite-size pieces of rich Danish butter toffee with whole almonds and smothered in See's own creamy milk chocolate, then covered with bits of toasted almonds. Ui.


6 - Compra mais do que necessária são as latinhas de atum da John West. Dá pra abrir a latinha, jogar na vasilha direto e comer com pão, ou preparar torradas cobertas, ou fazer uma macarronada, pastinhas com ricota ou maionese, etc, etc, etc. Minhas latinhas preferidas são as de atum com pimenta-do-reino e limão, atum com mostarda, e, quando tô com espírito aventureiro, atum com curry indiano. Yummy, yummy.



7 - Finalmente, meu campeão, descoberta das descobertas, sem a qual não mais viverei: uma bebida chinesa feita de aloe-vera. Em São Paulo deve dar pra encontrar, em lojas de produtos orientais. É MUITO GOSTOSA! Parece suco de uva verde, mas muito levinho e suave. E tem uns pedacinhos de aloe, parecidos com gelatina, que dá pra mastigar no final. E ainda é bom pro sistema digestivo! Não sei como vivi até hoje sem isso.

sexta-feira, 14 de março de 2008

SALVEM A BALEIA

Daí que aqui na Austrália o governo é suuuuuper preocupado com o meio-ambiente. O povo é incentivado a interagir com o verde (tomar sol nos parques é normal, bem no centro da cidade, e pode pisar na grama, subir em árvore, fazer churrasco), e as multas pra quem joga lixo na rua são pesadas.

Mas é claro que o povo de uma forma geral não é isso tudo não. Muitos respeitam, mas os favelados estão dominando o mundo, e lixo na grama ou no trem não é tão difícil de encontrar, especialmente nos subúrbios mais afastados.

E ainda existe outra multa pesada, pra quem matar qualquer bicho nativo. Por isso que vivo com medo (muito medo) de sair de casa - afinal vivemos com uma epidemia de cacatuas aqui em Minto (um dia ainda mostro o vídeo do grupo que socializa aqui na rua).

Entre as várias espécies em extinção, apresento meu atual preferido. Com vocês, o bilby:



Lembrou de coelho? Porque gente! Não me admira que os pobrezinhos estejam em perigo de desaparecer da face desse pedaço de terra: se um deles entra aqui em casa, corro pra pegar o veneno de rato!

O fato é que vi alguns no zoológico, e são tão pequenininhos que nem me chamaram muito a atenção na hora. Ficam protegidos numa câmara escura (junto com umas 300 outras espécies de marsupiais pequenininhos), e a gente não pode nem tirar foto lá dentro. Sem graça.



Bom, sem graça até hoje, porque é aí que vem a curiosidade: por parecerem coelhos - e porque coelhos são uma espécie invasora no ecossistema australiano - o governo resolveu transformar o nosso coelho da páscoa em bilby da páscoa, olhem que fofo. Dessa forma, eles sensibilizam as crianças pro problema dos bilbies, e me deixam feliz.

Me deixam feliz não porque eu ame bilbies, mas porque eu amo páscoa, porque eu amo chocolate, e porque bilbies de chocolate sempre caem MUITO BEM.



Vai uma orelhinha de bilby aí?

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

COISAS DE OZ

Coisas impossíveis de se fazer na Austrália:

COMPRAR...

1 - CALCINHA; as daqui são muito baixas, e muito grandes atrás. Acho que são pra mulheres sem muito quadril e coxa. E sem bunda. Ou perfeitas como as desse comercial. Ainda bem que trouxe várias comigo.

2 - BLUSAS; ou as australianas são muito altas, ou tenho procurado blusas no espaço reservado pros vestidos. Pior: são muito estreitas. Gigantas magricelas.

3 - FILTRO SOLAR; tô tentando comprar um bom filtro pra mim desde que cheguei, mas não encontrei nenhum oil free em farmácias (acabei me contentando com um da Clinique). O que eu uso no Brasil, da Roc (maravilhoso), não tem por aqui. O sol é brêibs, e a numeração diferente: o FPS 30 corresponde ao 50 em outros países. Não levei a sério e meu presente foi esse aqui, ó:



COMER...

1 - CEREAIS INTEGRAIS; gente, cereal integral aqui tem gosto de feno. E aparência de estrume. É nojento.

2 - PÃES INTEGRAIS; muito pesados. Saudade da linha integral da PlusVita, viu. Aquele de cenoura, o de iogurte, o de maçã... aiaiai

3 - COMIDA PICANTE; o povo come sem sal e com muito chili. Tem que tomar cuidado, porque acho que aqui é que nem na Bahia, sabem, tipo, se você não for local peça seu acarajé frio, porque o quente arde os dente.

ABRIR...

1 - EMBALAGENS que contenham líquidos tóxicos; por exemplo, detergentes, acetona, desinfetantes. A tampa é pensada pra proteger as crianças, mas essa adulta aqui pena. Até anti séptico bucal me enerva. Pra abrir, a gente tem que forçar a tampa pra baixo e girar no sentido anti-horário. Parece fácil, mas não é. Tem coisa que eu simplesmente prefiro deixar pra lá. Imagina ficar brigando de manhã durante 10 minutos com o Oral B. Tô fora.

2 - A PORTA de casa; são duas trancas, e uma delas abre pra dentro. Sempre tenho a sensação de que fiquei presa.

3 - O CHUVEIRO sem me molhar; já disse em algum lugar que antes de entrar no banho é necessário temperar a água. Só tem que a localização das torneiras torna impossível abri-las sem molhar a cabeça (pra quem tá do lado de fora) ou o corpo todo (pra quem tá do lado de dentro).

FREQÜENTAR...

1 - ESTETICISTA; é inaceitável pagar 40 dólares pra fazer pé e mão. Comecei a fazer eu mesma. Tá pavoroso, mas só custa zero real.

2 - SHOWS; acho que ainda não vi nenhum show que custasse menos de 100 dólares. Balé, 150. Olodum, 130. Gente, eu não dô nem 130 cents pra ver Olodum, faz favor.

3 - CASA DE AMIGOS; a impressão que dá aqui é que tá todo mundo muito centrado na própria vida pra se socializar nos fins de semana. Acho que no Brasil a gente valoriza muito mais isso.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

BIG BIRD FROM HELL

Demorou, mas consegui gravar um dos pássaros de Hitchcock pra vocês.

Vejam o vídeo abaixo e participem da enquete:



VOCÊS ACHAM QUE

A) eu não gravei um corvo, mas um gato no cio;

B) eu gravei a imagem do corvo, mas o som esquisito era eu que estava fazendo;

C) eu tenho razão pra ter medo de sair de casa;

D) TAA

E) NDA

F) WTF

sábado, 23 de fevereiro de 2008

CREEPY

E quando a gente pensa que já viu tudo de esquisito nessa vida, dá de cara com o cachorro falante do Queen Victoria Building:



Ps: Tipo, não sei quanto a vocês, mas eu suuuupeeeer me lembrei DISSO!

RAVE ABO

Lembram que prometi colocar um vídeo com os aborígenes tocando a flauta esquisita em Circular Quay? E que o som deles parecia uma rave?

Aqui vai:



Ps1: muitas dúvidas de que esse grupo seja 100% Outback...

Ps2: favor não me recriminar, mas eu bem dancei na praça.

Ps3: google informa que o nome da flauta é didgeridoo. Nem preciso dizer que vou continuar chamando a bicha de flauta esquisita.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

O CLIMA MUITCHO LÔCO E O CAMINHO PRO SHOPPING

O clima em Sydney é louco de pedra: chove, faz sol, frio e calor, tudo no mesmo dia e ao mesmo tempo (e dei sorte de ainda não ter experimentado uma chuvinha básica de granizo). Pra sair de casa, a gente tem que se lembrar de levar casaco, boné e sombrinha, não importa o sol ou a chuva que você esteja vendo da janela. Tem dias que acho que está calor e levo um casaco levinho, e 3 horas depois volto tremendo pra casa.
Lembram da minha primeira vez em Opera House? Não parou de chover em Circular Quay. Daí pegamos o trem pra casa, e, na metade do caminho de volta, o céu tava assim:
Quando chegamos na nossa estação, estava assim:
Ou seja, não acredite no que você vê.
...
As fotos abaixo foram tiradas no mesmo dia em que fui ao Opera House, e mostram o caminho entre o shopping e a estação de Minto:
(é nessa maquininha que a gente compra a passagem: primeiro escolhe a estação pra onde quer ir, depois o tipo de bilhete - ida, ida/volta - e aí coloca as moedinhas - dez, no máximo, já aprendi - e pronto, é só esperar o trem. Mesmo o trem mais ferradinho é arrumadinho por dentro, e depois de duas viagens já dá pra pegar a manha, o mode d'emploi. Acho que já posso me virar sozinha em qualquer linha... Mas tipos, se perder faz parte)
(de um lado do trem, a gente só vê bairros residenciais e pequenos centros comerciais. Do outro, é mato)
(a estação de Minto, vista do alto e de fora)
(da estação de Minto dá pra ver outro subúrbio, St Andrews, bem pertinho. Ao lado, o centro comercial de Minto, que é bem tiquitinho - mas tem um pub, claro)
(à esquerda, o quadro com as estações e linhas de Sydney, à direita, a estrada...)

STARBUCKS

A coisa mais perigosa que podia acontecer já está acontecendo: tô começando a pensar em termos de dólar australiano (que corresponde mais ou menos a 1 real e 50 centavos). Nos primeiros dias, dei 3 dólares numa garrafinha de coca-cola, e quase morri quando fiz a conversão, mas agora já dou 2 dólares num expresso sem chiar. Digo, sem chiar só quando não cedo à tentação da metideza e me meto num Starbucks, porque aí sempre me arrependo depois.

O ambiente é fofo, zilhões de coisinhas caras pra comprar (cada caneca leeeendaaaa), atendentes hiper-simpáticos, poltronas confortáveis... Mas o café, que é o que importa... o café... eeew. Parece água suja. Não tem gosto de nada parecido com café. Nem o chafé da minha mãe é tão ruim quanto aquilo.

Na primeira vez que eu fui, pedi um Chai Latté - o do Parador, aquele café em Niterói onde eu praticamente vivo, é feito com um preparado especial (que encontrei no supermercado daqui e já comprei), e dá de dez no do Starbucks, que tem gosto de leite puro.

Na segunda vez resolvi ser mais tradicional, e pedi um capuccino. Mais água suja. Um copo gigantesco com gosto de nada. Bebi metade (minha obrigação, afinal) antes de descobrir que eu mesma precisava colocar a canela e o chocolate em pó (que ficam na mesma bancada que as colherinhas, o açúcar, guardanapos, etc). Vejam bem: se eu soubesse preparar um capuccino, faria o meu em casa mesmo, vocês não acham? Então é óbvio que o meu ficou uma porcaria.

Traduzindo, todo cliente do Starbucks deve pesquisar profundamente sobre o preparo da bebida desejada antes de sair de casa, porque o chafé é caro, e, de bônus, é você que vai prepará-lo.

Pra não dizer que vou deixar de fazer merda, vou dar mais uma chance pra eles e pedir um expresso. Gente, sério, com expresso não dá pra errar.

ps: se bem que fui pedir um aqui perto de casa, e me perguntaram se eu queria pelo menos uns 3 tipos diferentes de expresso. Pedi o errado, claro. Aparentemente existe o short(que é o nosso expresso), e depois várias versões adionando água e mais água, até chegar ao famoso chafé mineiro. Quem é chique e gosta do expresso curto, desista de beber café por aqui!

VALORES

Quinta também foi a primeira vez que eu saí sozinha, me, myself and I. Precisava desesperadamente de dois casacos muito específicos: um que não esquentasse nada, e um que esquentasse de verdade. Acontece que meus casacos, nenhum deles, serve pro clima de Sydney: de dia a gente tem a sensação de frio, mas é por causa do vento (então, precisava de um wind-breaker, que não esquenta, só protege os braços), e de noite esfria igual o cão, tipo menos 10 graus em 10 minutos (e meu casaquinho só serviu pra ajudar a congelar meus ossos na volta do Show do Iron Maiden). Aí fui embora com a grana da semana pra torrar no shopping - melhor programa ever!

Tirando o problema que tive na hora de comprar o ticket de trem (a máquina só aceita 10 moedas no máximo, e eu queria me livrar de 3 dólares em moedas de 10 centavos...) e o fato de ter escolhido minha bota de camurça rosa pra rodar no shopping em busca de um casaco (a bota já tava me matando antes de eu chegar na estação de trem), correu tudo tranqüilamente.

É ao mesmo tempo refrescante e amedrontador estar num lugar em que as marcas não te dizem absolutamente nada. Claro que estou mentindo, porque encontrei um moleton Calvin Klein muito fofo, e camisetas do Tommy Hilfiger que eu simplesmente preciso pra viver, mas, de um modo geral, podia entrar em qualquer loja que me desse na telha, porque não tinha a menor idéia de qual delas correspondia à Folic e qual correspondia à Pixação.

Erick me disse pra procurar o casaco na Target, que costuma ter uns preços melhores que a David Jones (que é uma espécie de Daslu da classe média daqui), mas eu não conseguia encontrar a loja no shopping - e tava com medo de perguntar pra alguém porque, convenhamos, vai que Erick tava me mandando pra Impecável Maré Mansa (na verdade, é mais como uma Leader onde vende chocolate).

Rodei bastante, repetindo incessantemente pra mim mesma que não, que meu pénão estava doendo, e acabei encontrando a loja no terceiro piso, lááááá no final do shopping. E nada tinha que me interessasse por lá. Achei tudo caro e vagabundo - a Leader é melhor, se vocês querem saber. Mas não queria pensar que tinha passado por todo aquele sofrimento por nada, então nada mais natural do que sair de lá com dois chapéus:



Em relação aos preços, geralmente as coisas são caras por aqui, mas o bom é que tem sempre umas promoções incríveis: tipo, um dos chapéus custou menos de 4 dólares - originalmente, custava 17. Pra vocês terem uma idéia do tipo que gasto que se tem, vejam essas duas fotos:



Na primeira, dois esmaltes, um batom/gloss, um removedor de esmalte e um kit com hidratante, máscara purificadora e sabonete pro rosto. Foi minha primeira compra no shopping, logo assim que cheguei, e gastei quase 40 dólares (na verdade, metade disso, porque os cremes eu comprei com um giftcard que Erick ganhou do banco dele - aqui as pessoas apresentam um cartão sempre que fazem alguma compra, e com isso ganham descontos e giftcards o tempo todo). A segunda foto foi minha primeira compra de mercado, 23 dólares por suco de laranja, sorvete, biscoito, maçãs, iogurte, desodorante e um kitkat.

(Aliás, os mercados são uma perdição pra quem, como eu, é viciada em açúcar - ou em comida de uma forma geral. As porções de tudo são gigantescas. E preciso admitir pra vocês que voltei a ter um sonho que tinha muito quando era criança: me esconder de todo mundo e ficar trancada no supermercado depois que os funcionários fossem embora.)

No final, acabei decidindo ir no cinema assistir Juno, antes de tomar coragem pra voltar pros casacos. Pior do que pagar 5 dólares numa porção pequena de batata frita foi ver que a tal porção alimentava tranqüilamente uma família de seis. Desconto de estudante existe: ao invés de pagar 16 dólares no ticket de cinema, eu pago 12. Enfim, nem tudo é perfeito por aqui. Mas o filme é fofo. Assistam.

Voltei pro shopping, cheia de coragem, e acabei comprando os casacos na David Jones mesmo - um moletom em promoção, e um casacão bem gostoso. Não o Calvin Klein - resisti a ele com todas as minhas forças. Mas cheguei em casa chorando: foi caro pra quem tem o limite de crédito que eu tenho, e, voilà, quando peguei o trem de volta tava fazendo um calor do cacete.

Vai entender.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

DE ITAIPUAÇU PARA O MUNDO

Assim, da roçalândia pro suburbiaville more like, mas amando, a-man-do!

ROÇALÂNDIA

Ó, Itaipuaçu é logo ali, né. Logo ali onde judas perdeu as botas.

Mas todo mundo sabe onde é o Rio. Niterói fica ao norte, do outro lado da baía de Guanabara, e se você for seguindo a costa, um dia chega em Maricá. Pois então, Itaipuaçu é a primeira praia dessa cidade da região dos lagos - sendo bem mais próxima do centro de Niterói que do centro de Maricá. Mas ainda assim é tipos longe de tudo.


(tão vendo ali Itaipu? É a última praia de Niterói. Itaipuaçu é a praia a seguir, e já faz parte de Maricá - que fica onde judas deixou as calças)

SUBURBIAVILLE

Agora vamos pra onde eu estou, aqui no outro lado do mundo:


(grandinho, né? Mas é quase tudo deserto - o famoso Outback)

Bom, saindo do aeroporto (que não é na city, como eles chamam os centros aqui, mas no subúrbio de Mascot), e seguindo a direção sudoeste, a gente chega em Minto (sem trocadilhos, por favor), que é o subúrbio onde estou. Na verdade, aqui tudo é subúrbio: a city é relativamente pequena, e muito cara, então é normal morar fora do centro. Normal do tipo não é desagradável.


(a seta grande é Sydney, a área pontilhada circula o aeroporto, e a seta menor é Minto)

Se vocês descerem um pouco mais, verão Campbelltown, que é o maior bairro perto de Minto. A estação de trem de lá é mais bonita que vi até agora. A parada seguinte é Macarthur, o primeiro lugar que conheci em Sydney. Bom, não queria ter de admitir isso pra vocês, mas se trata de um shopping center. Enfim. Sou eu. Não tenho culpa de ser desse jeito, né, Cris? Foi deus que me fez assim.


(os pontinhos vermelhos marcam a city, depois Minto, depois Leumeah - que nunca consigo pronunciar direito, é tipos Lumiar pronunciado "lu-mí-ah" -, depois Campbelltown, e, finalmente, MacArthur, que não aparece no mapa, mas que é um graaaaaande lugar!)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

THE ASSHOLES

Logo assim que chegamos em casa, por volta de 10 da manhã de sexta, fui tomar um banho (gente, sou limpinha, mas 40 horas sem banho, tipos, nem uma estátua de cera escapa de ficar, uhn, passadinha). Aí deitei no sofá e tomei conta do controle remoto (ei, isso é o que se espera de mim. Foi deus que me fez assim). Querem saber qual foi o primeiro programa que assisti?

Nunca achei que alguém conseguisse ser mais boçal que os Teletubbies, mas, vejam só, aparentemente não existe limite pra bobeira humana - e eu, do alto da minha, me diverti pra cacete rindo dos Wiggles. Se eu contar do que se trata, ninguém acredita, então acho melhor mostrar:



ps1: ei, Xuxa, a falta de criatividade mandou lembranças. O Tchutchucão australiano também!

ps2: o segredo é focar cada vez num babaca diferente, mas, no imperdível vídeo acima, a melhor performance é sem dúvida a do Tchutchucão.

ps3: meu nome é Ana, tenho 34 anos, e todo dia danço Pump It com o Tchutchucão.

LIVING ON THE EDGE

LIÇÃO AUSSIE NÚMERO 1: Nunca pegar táxi dirigido por indianos.

Nevah, evah, evah, evah!

...

(a não ser que você goste realmente de emoções fortes, muito fortes)

(apertem os cintos, cambada, parece que o piloto sumiu!)

domingo, 3 de fevereiro de 2008

JET LAG



Ta' ruim de entrar no hora'rio de Oz, gente boa. Ontem fui dormir tipo 4 da tarde, e meu anfitriao me obrigou a acordar 6 horas depois pra jantar. Se'rio, nem lembro o que comi. To parecendo um zumbi.

Ah, ja' fui atacada por 4 animais diferentes, mas conto isso depois.

Agora eu durmo ou ligo a tv naquele canal que tava passando gente pelada montando uma cama? Uhn.

ps: Re, hoje fui no shopping e vi um monte de australiano gato. Pensei em vc!