Daí olhei pras minhas sacolinhas cheias de maquiagem, perfume, produtos de higiene, chapéu, e comecei a divagar né. Deve ser muito reconfortante você pertencer a um desses grupos de tradição protestante. Nem é que eu pense que elas não usam sabonete, shampoo, essas coisas, mas duvido que elas teriam enlouquecido diante da promoção que eu peguei hoje. Duvido.
Deve ser super tranqüilo acordar e saber que a única escolha vai ser entre a saia marrom e a saia verde. E o lenço combinando. Deve ser tudo não ter que acordar pensando no trabalho que vai dar escolher a maquiagem pro dia, e que você precisa de todo jeito daquele pincel de 30 paus da Clinique, ou daquela boina de oncinha. Deve ser bom demais não acordar com a sensação de que precisa consumir pra preencher algum buraco - seja ele qual for. Ou só por diversão. Ou esporte. Ou doença.
Então é isso, decidi que deve ser muito bom ser amish, e saber que, apesar de ter uma vida rígida pro padrão da sociedade consumista em que a maioria de nós está encroada (eu tô super lá, grudada no fundo do tacho da sopa de adoradores da compra desnecessária), e de de repente não poder fazer muitas escolhas, deve ser bom saber que amanhã vai ser que nem hoje, e que você nem vai precisar pensar em arrumar marido, que ele vai vir de mão beijada numa transação entre vizinhos.Sendo assim, fechando a onda de ponstan, digo só mais uma coisa: se esse vizinho me oferecer como marido o filho gostoso que é a cara daquele loiro de Witness, eu super jogo fora tudo que está no meu armário e tipos viro amish tomorrow!
Super feliz. Su-per. Feliz do tipo realizando um sonho de consumo.






