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quinta-feira, 19 de junho de 2008

COCK SMITH

Ah, achei essa foto perdida por aqui e não podia deixar de mostrar pra vocês!

Trata-se de uma rede de lojas de eletrônicos que a gente encontra em tudo que é esquina de Sydney. Pra onde quer que a gente fosse, lá estava ela:



PIRU SMITH

Como diria o Nelson dos Simpsons, RÁ RÁ.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

DICAS

Tô de longe, mas tô na área!

Duas dicas:

1 - A Jana, uma das minhas mineirinhas queridas, está com um site novo: o Paleta de Cor, um bazar com coisas fofuchas que eu amei! Já disse pra ela que vou querer de tudo quando voltar!



2 - Duas (?) pessoas (homens? mulheres?) que atendem pelo nome de Gêmea Boa e Gêmea Má estão pedindo pra divulgar o blog delas, o It Twins. Já dei uma olhada lá e tem um bocado de dica legal!



Visitem, people.

terça-feira, 1 de abril de 2008

MEU BLUBERRYS PARAGUAIO

Sabem a boina xadrez que aparece em algumas fotos?

Bom, dei de cara com ele perdido numa pilha de bonés em promoção na Target, que é uma Renner/Leader daqui (mas vende de tudo, coisas pra casa, chocolates, plantas, eletrodomésticos, cds, etc, etc, etc). Na hora pensei: TENHO que ter, porque lembra o xadrez da Burberrys.

Aí que outro dia tava na David Jones da cidade (lá tem tudo que é marca carésima, e foi onde tirei a foto dos Manolos), olhei pro lado e quem tava lá? O estande da marca inglesa, com vários caps, sombrinhas, luvas, tudo xadrezinho. A primeira coisa que vi foi o Check flat cap - parecido com o meu, só que obviamente muito mais bonito e de qualidade infinitamente superior.



Peguei, né, e já ia colocando na cabeça quando vi a etiqueta com o preço. Coloquei de volta e fui embora. Bêibes, TREZENTOS E SETENTA E CINCO DÓLARES AUSTRALIANOS. Isso dá mais ou menos uns 600 reais. Por uma boina.

Super fico com minha imitação de Taiwan, o Paraguai da Australásia, que me custou, se não me engano, uns 14 dólares. E não se fala mais nisso, porque eu queria era o da Burberrys mesmo e detesto me lembrar disso!

sexta-feira, 28 de março de 2008

CADA UM SE VIRA COMO PODE

Não é segredo que eu não sei cozinhar, e que sou preguiçosa demais pra ir pro fogão - pra quê, se é só fazer um sanduíche de qualquer coisa?

Mas a verdade é que tenho me sentido muito mal nessas últimas semanas, e eu culpo a comida australiana por isso. Aí que essa semana eu resolvi colocar um ponto final na minha dieta adolescente, e começar a fazer minhas refeições direito, café, almoço, jantar, lanche - nessa ordem, porque janto cedo e durmo tarde, então sempre dá fominha.

Do jantar Erick se encarrega, mas o que fazer pro almoço? Nada de aventuras, senão desisto rapidinho e volto pro sanduba. Procurando na internet, num site super chique que não vou colocar aqui porque é segredo, achei uma receitinha deliciosa, da vovó mesmo, que acho que vocês vão gostar:


SOPINHA DA VOVÓ



Abra uma lata de sopa Campbells de vegetais (tem no Brasil que eu já vi), coloque delicadamente o caldo numa panela. Esquente mexendo com muito cuidado, senão a receita falha! Quando estiver quentinho, acrescente uma colher de sopa de cream cheese, e misture até que o queijo se desfaça. Aí vem a parte difícil da coisa: passe a sopa para um prato, coloque ao lado umas torradas (isso é nível 2, gente! Quem não souber fazer é melhor comprar pronto!), e polvilhe a sopa com queijo parmesão DO BOM, aquele que derrete quando a gente coloca em cima da comida.
Olha, people, sei que é uma provação, tá, mas vambora, com persistência vocês chegam onde eu tô agora! Força na peruca, hein.

MY EYES!

Tava zapeando esses dias na tv de noite, e dei de cara com esse programa de ginástica nada ortodoxo:



1 - Será que eles depilam tudinho pra não ficar caindo pentelho? Eu é que não faria ginástica na sala depois que essa turma saísse!

2 - Coloquei o vídeo no youtube (nem sei se pode!), fui fazer o almoço, e meia hora depois 16 pessoas já tinham visto. Tipos, MEIA HORA DEPOIS, sendo que tive o cuidado de não colocar nenhuma palavra que fizesse menção à nudez! Êita que o povo segue pelo cheiro!

3 - Me desculpem, mas por favor prestem atenção no Gunther ali do lado. Eu aqui achando que nada era pior do que homem fazendo sexo com sapato e meia, e eis que descubro que existe sim: homem fazendo ginástica só de sapato e meia!

4 - Gente, essa menina aí na frente precisa deixar crescer uns pelinhos. Isso é muito feio, tenha dó.

5 - Vendo o vídeo eu só consigo pensar numa coisa: e se... não, deixa pra lá. Esse blog não permite fart jokes.

domingo, 23 de março de 2008

quinta-feira, 20 de março de 2008

RAPIDINHA NO TEMPLO

Tô indo dormir cedo porque amanhã vou fazer uma viagenzinha, mas não podia deixar de blogar rapidinho pra contar uma coisa pra vocês:

VI MANOLOS DE PERTO!

Sim, vi, toquei, cheirei, reverenciei, me emocionei... Só não reivindiquei o meu porque sério, né, tipos nunca que vou ter um, e, apesar de ter saído do templo um pouco triste por isso, é uma verdade que eu aceito. Quase sem dor.



Erick disse que nunca viu meus olhos tão arregalados antes. E veio com um papinho sem graça, tipos:

- Olha o preço desse sapato aqui! Só porque a marca é Salva... Salva...
- Salvatore Ferragamo, agora larga ele ali. Tá pensando que você é quem pra pegar nele?

Eu acariciando um DKNY e chega ele com um Jimmy Choo na mão:

- Cara, você não vai acreditar, mas eu tô segurando 700 dólares na mão!
- Grandes coisas. Segura esse aqui ó.
- Ahn.
- Mil e oitocentos.
- Tô tremendo, tira isso de mim.

É muita audácia, né. Tipo é muita audácia do cara achar que pode andar entre sapatos desses e falar.

quarta-feira, 19 de março de 2008

PINTA COMO EU PINTO?

Então nem dá pra sonhar em ir pra salão, porque é tipo 40 doletas pra fazer pé e mão. Mas pé e mão de gringo, né, já que só com muita sorte a gente é capaz de ganhar um empurrãozinho na cutícula - mas nem contem muito com isso, não, que é pra não ter decepção.

Daí que hoje eu finalmente tomei coragem (ou vergonha?) e peguei meu estojinho de esmaltes. Mas nem tava sozinha na empreitada, não, hein, porque bem arrastei Erick pra ser o responsável pela pintura. Lixei, tirei cutícula, ensinei pra ele como movimentar o pincel (ha!), e o resultado foi que demorou umas duas horas pra um dos pés ficar pronto. E o dedão só precisou ser refeito umas 3 vezes.

Mas ó, tá contratado. Acho até que ele se saiu melhor do que as chinesinhas. Bom, pelo menos tenho que me fixar nesse pensamento. Porque vocês sabem, né, com esse negócio de dar problema na minha conta, fiquei tipos without a put in my pocket. E bora fazer o outro pé.

quinta-feira, 13 de março de 2008

POBREZA MODE ON

E aí que passei um ano dizendo que ia deixar uma declaração com meus pais pro caso de dar problema com alguma das minhas muitas dívidas no Brasil. Mas deixei tudo mais ou menos certinho, né, aí dei meu cartão pro papi, fiz minhas contas de cheques pra bater, e disse: papi, você tira tanto em fevereiro pra pagar issoissoeisso, aí mais tanto em março pra pagar issoissoeisso e mas tanto em abril pra issoissoeisso. Fiz um cartão internacional pra movimentar minha conta daqui, e pensei beleza, não vai dar merda não. E deixei a declaração pra lá.

Mas Murphy achou meu endereço até aqui em Minto, certo? Claro que Murphy achou, porque Murphy, além de ser um puto, gosta mesmo é de rodar o mundo.

Antes de viajar, minha gerente tinha falado algo sobre dar um pulinho lá qualquer dia pra confirmar uns dados. Eu: têm pressa, moça? Ela: não, não, menina, sem pressa. Claro que todo dia que entrava no banco tava aquela fila gigantesca, e deixava pra amanhã. E fui deixando pra amanhã, até que amanhã virou hoje e hoje já era dia de viajar - e aí não dava mais tempo. Mas tudo bem, a tia disse que era bobeira, resolvo quando voltar.

E adivinhem só o que aconteceu? Fui anteontem num ATM do shopping, toda feliz porque ia poder pegar minha graninha e já sair comprando coisas, e qual não foi minha surpresa quando não consegui tirar dinheiro? Mas como assim, se o dinheiro tá lá que eu vi pela internet?

Ligo pro pai. Pai vai na agência. Só com a presença do titular. Mas ela tá na Austrália. Só com a presença do titular ou uma procuração. Mas ela tá na Austrália, não deixou procuração, e precisa do dinheiro. Me desculpe, tio, mas a gente não pode fazer nada por ela; perdeu.

...

E aí que tô na metade da minha viagem, com centenas de centavos na conta, e vou ficar completamente dura pelas próximas 6 semanas.

Imaginem só se eu tivesse em hotel, tendo que comer fora, dependendo disso pra viver? Ia ter que desistir da viagem e voltar pra Niterói, pra matar a quenga do banco?

...

ps1: alguém aí sabe se eu posso processar o banco por negligência e abandono de incapaz?

ps2: alguém aí pode me mandar um dinheirinho pelo correio?

quarta-feira, 12 de março de 2008

THE COSMETIC PARADISE IS HERE

Depois dos 30 descobri que não dá mais pra viver se enganando, tipos dizendo que eu tô no auge dos meus (*complete*) anos. Não. Depois que a gente faz 30 é uma escalada non-stop rumo à decadência inevitável do viço - e não tem pensamento polyana que apague essa realidade.

Quando a gente tem 20, é tudo festa: ir pra praia e ficar com a caraça virada pro sol, dormir com maquiagem, andar pra hidratante, dizer pros quatro ventos que prefere encher os córneo de cerveja durante 5 meses com o dinheiro que a tia gasta com o creminho La Prairie. E a pele? Linda - enquanto a tia que deixa o salário de um mês na loja de cosméticos segue adiante pro visual maracujá.

Depois dos 30, a revelação. Pele murcha, râneis. M.U.R.C.H.A.

Assim sendo, não tenho um puto no banco, mas de uns tempos pra cá não vivo sem meu ritual diário. Comecei com um creminho de farmácia aqui, coragem pra pagar um pouquinho mais caro em prescrição ali... Até que cheguei na Austrália. Porque agora eu mimei minha pele de uma forma que não dá mais pra voltar atrás: ela só quer saber de mistureba chique. O bom é que aqui dá pra bancar. Sigam-me os bons:

A Tati e a Renata ficaram curiosas quando eu falei dos creminhos. Então, aqui é tudo mais barato, pelo menos em relação aos preços no Brasil. E algumas lojas de multimarcas fazem promoções muito legais. Descobri a mina na minha primeira semana aqui, enquanto procurava desesperadamente um filtro solar oil free. Entrei na David Jones e vi várias caixinhas com miniaturas de produtos de cada marca embaladinhos pra presente. Claro que tomei coragem e fui atrás de uma vendedora: meu, pra quem que eu preciso dar pra conseguir um kit desses?

Fácil. É só a gente ver qual marca está oferecendo um gift no momento, descobrir o valor mínimo para compra (... e escolher o produto mais barato da marca que cubra aquele valor), pagar, e pronto: vamos pra casa felizes com o creminho novo e mais uma nécessaire lotada de coisinhas. Parece bobeirinha, mas o valor total vale a pena. Além disso, quem pode ficar experimentando tudo que é creme? Com as amostras a gente vê o que funciona, e investe, quando puder. Quanto à maquiagem, isso é coisa que dura muuuuitooo - só a miniatura garante meses e meses de cores bonitas. Isso e também porque comprar é como receber um abraço gigante, e quem não gosta de um abraço gigante, não éam?

Assim, meninas, já dei a sorte de aproveitar 3 promoções:

1 - na LANCÔME, comprei um serum pra usar durante o dia (pras desavisadas, seruns são hidratantes mais leves, menos gordurosos, que somem na pele logo assim que você passa), e ganhei esse kit:


(um demaquilante, um creme pro rosto, um hidratante pra área dos olhos, um gloss, um baton, duas sombras, um blush e um rímel - o Virtuôse, que é maravilhoso e vale cada um dos milhares de centavos que deve custar. Tudo aprovadíssimo)

2 - na CLINIQUE, comprei um hidratante pra noite que promete renovar as células e deixar a gente com pele de bunda de bebê - sem as celulites, espero:


(nesse kit veio um hidratante pro corpo, um sabonete pro rosto, uma loção hidratante, um creme firmador pro rosto, duas sombras, um batom leeeendo, um rímel e um perfume - o Happy, bem verãozinho. Ainda não experimentei nada, então não posso garantir que a compra tenha valido a pena. Aliás, posso sim, né, olhem só essa nécessaire rosa!)

3 - no stand da ESTÉE LAUDER foi diferente:


(comprei a revista Elle australiana desse mês e recebi um cupom pra trocar por esse vidrinho do Revelation, que promete milagres. Tô no segundo dia, vamos ver)

Infelizmente meu dindim brasileiro não chegou a tempo pra eu aproveitar a promoção da Estée Lauder, porque o gift deles foi o melhor até agora. Tomara que eles façam outra antes de eu ir embora!

ps1: claro que esse gasto extra só é possível porque não tenho que pagar hotel, né, gente. Só pra deixar claro que não nasci Paris Hilton, infelizmente.

ps2: pelo que vi existem 5 multimarcas mais famosas aqui. Divido elas em dois grupos.

O primeiro é formado por 3 lojas que vendem de um tudo, desde roupas até plantas:
- a Target, que é tipo a Leader no Brasil;
- o Big W, um pouquinho mais vagabo que a Target;
- o K-Mart, super povão. Era onde Erick comprava blusas pra trabalhar - prática que eu já dei o primeiro passo pra deletar de nossas vidas.

No outro grupo, duas multimarcas mais arrumadinhas:
- a Myer, qualidade e preços um tiquinho mais acessíveis;
- a David Jones, que parece uma Daslu classe média.

Nem preciso dizer quais são as duas lojas que eu freqüento, né? Mas ó, nem é só frescura: catando bem (coisa que eu tenho a maior paciência pra fazer) dá pra encontrar nas multimarcas mais caras roupas de qualidade superior e com preço equivalente às mais baratas. Então vale a pena, néam?

quinta-feira, 6 de março de 2008

COISAS QUE A GENTE NUNCA ESTÁ PREPARADA PRA OUVIR

Eu no computador, Erick zapeando de um canal pro outro.

A gente imagina que o cara chegue do trabalho e fique jogado na frente da tv vendo futebol ou o noticiário, mas não ele.

Ele não. Ele fica é tentando decidir se revê o episódio em que a Lorelai foi deflorada em Gilmore Girls, ou se revê o episódio que mostra a primeira missão do Jack O'Neill como general em Stargate SG1.

- Tá vendo aquele cara ali?
- Onde?
- Aquele ali, de óculos.
- Uhn.
- Tá vendo?
- (silêncio) Tô. Que que tem?
- Ele ganhou uma competição do Sci-fi Channel pra participar desse episódio.
- (silêncio mais longo) E como é que você sabe disso, Erick?
- Porque eu também participei dessa competição, mas perdi.
- (silêncio total)

...

Oh god.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

DROPS

Hoje resolvi que estava com preguiça pra fazer almoço, então fiz o que qualquer um de vocês faria: miojo.

Tinha comprado alguns pacotes de uma marca que não tem no Brasil, uma tal de Indomie Mi Goreng. Hoje preparei o Barbecue Chicken. Ao contrário dos pacotinhos que conhecia (macarrão + envelope de tempero), esse aqui tinha nada menos que 5 envelopes diferentes: um com o tempero BBQ, outro com alho frito, e mais 3 tipos de molho (chili, soja e um óleo cheio de temperos). O preparo também é um pouco diferente: enquanto o macarrão cozinha, a gente mistura todos os envelopes no prato; depois é só colocar o macarrão por cima, sem água. Fica feio. Mas fica gostoso. E tão picante que realmente parece que a boca tá pegando fogo.

...

Mudando um cadinho de assunto, vocês viram o Oscar hoje?

Gente, o que é Anne Hathaway no tapete vermelho? Não é a toa que ela é uma das mulheres que eu pegaria.

Teve uma cena muito engraçada, quem acompanhou o tapete vermelho pelo E! deve ter visto: Gary Busey (lembram dele?) totalmente decadente, tentando chamar a todo custo a atenção do repórter (Ryan Whatever, um verdadeiro boçal), invadindo a entrevista com a Jennifer Garner, dando um agarrão nela pra se apresentar, e depois, crente que seria o próximo entrevistado, sendo dispensado pelo repórter. "Depois eu falo com você, na festa". Hahaha. E o cara do E! ainda virou pra câmera e disse que não fazia a menor idéia de como explicar o que tinha acabado de acontecer! Isso é mico ou what?

Vejam o vídeo AQUI.

...

E hoje finalmente bateu a saudade de casa. Meu irmão mandou fotos do meu sobrinho de 8 meses curtindo o carnaval com fantasia de pirata (com direito a tapa-olho e tudo) e dando o primeiro mergulho na praia... É dele e do Tum-Tum que eu sinto mais falta - porque com bebê e cachorro a gente não pode falar no telefone, nem mandar email...

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

EXPERIÊNCIA RUIM

Então que até quarta-feira passada só flores, mas finalmente tive minha primeira experiência negativa aqui em Sydney.

Fui ao cinema assistir The Jane Austen Book Club (um dos filmes-mulherzinha mais fofos que já vi. Se Austen não é motivo suficiente pra vocês procurarem o filme, tentem ISSO). Cheguei no cinema, comprei meu ticket, e resolvi pegar uma coca-cola. Aqui as máquinas de refrigerante ficam à disposição do cliente: não é o empregado da lanchonete que te serve, mas você mesmo. Por isso, é normal que se ofereça o serviço de refil. Com isso em mente, sigam a história:

Na hora de me servir, acabei colocando gelo demais no copo, quase o copo inteiro. Eu poderia ter jogado tudo fora e recomeçado, mas pensei, né, sem problema, bebo um pouco do refrigerante e depois completo com mais, pra não ficar aguado. Paguei pela coca, fiquei por ali rondando, e, dez minutos antes do filme começar, e não tendo bebido nem metade do copo, fui lá. Só que, prevenida que sou, resolvi perguntar pro garoto que tinha me atendido se eu realmente podia fazer o que estava pretendendo.

Ele estava atendendo uma senhora, fiz a pergunta com meu inglês de sexta série, e qual não foi minha surpresa quando a senhora virou o rosto pro outro lado e começou a rir. Eles trocaram um olhar e, com ironia, o garoto perguntou what? Fui ficando nervosa, e meu inglês desapareceu. Tentei explicar pra ele que tinha colocado gelo demais, mas quem disse que eu me lembrava como se dizia gelo em inglês? Abri o copo e mostrei pra ele. O cara olha pra mim e diz, com toda a ironia do mundo: ice? Nisso a velha rindo, e eles trocando olhares.

Eu comecei a me sentir tão mal, mas tão mal, que disse that's ok, e fui pegando minhas coisas. Aí ele disse que eu podia colocar, mas dando um risinho torcido pra mulher, e como se aquilo fosse uma concessão. Sem graça até dizer chega, murmurei um sorry, it doesnt matter, thank you, e fui saindo. Ainda ouvi ele dizendo que eu podia ir lá, mas tudo o que eu queria era sair dali. Porque, tipos, eu não queria uma concessão, né, tinha pedido uma informação pra ele, era só dizer yes, madam, ou sorry, that's impossible, ou qualquer outra coisa que não ironia.

Tipos, será que eles estavam rindo porque não falo inglês? Por causa da minha pronúncia? Porque eu tava quebrando algum código social muito claro? Porque era óbvio que eu podia colocar mais refrigerante? Porque era óbvio que eu não podia? Será que eu tava com bafo?

Enfim, só sei que aqueles dois acabaram com meu dia. Sei que foi bobeira, mas, olha, que merda você se sentir impotente pra dar o troco, sabe, tipo perguntar vem cá, tô perdendo alguma coisa?, ou até fazer um barraco mesmo, porque na hora eu não tinha inglês pra nada disso - sabem como é, quando você só pensa na coisa certa pra dizer 30 minutos depois de não poder dizer mais nada?

...

Pior que Erick tinha me dado uma lista imensa de coisas pra comprar pra casa, em 3 lojas diferentes, e tudo o que eu conseguia pensar era meu deus, vou ter que passar por isso over and over and over again, e a vontade que deu foi de sair do cinema direto pro trem e ir pra casa chorar. Mas agüentei firme e entrei no shopping (tipos, vocês sabem, né, fazer compras é algo como receber um abraço gigante). E fui super bem tratada em todos os outros lugares que entrei.

...

Quando contei pra Erick o que tinha acontecido, ele ficou super irritado, quis voltar lá na mesma hora pra fazer uma reclamação com o gerente, mas eu não deixei. Detesto cenas - pra vocês me verem fazendo uma, olha, é porque me deixaram completamente fora de mim MESMO. E também porque acho que eu tenho que resolver esse problema sozinha, deixando pra lá, ou voltando pra fazer a tal reclamação.

O que vocês fariam no meu lugar?

domingo, 17 de fevereiro de 2008

DIA DOS VALENTINOS

Na última quinta foi o Valentine's Day, que é tipo uma data que eu não entendo muito bem, não. É dia dos namorados? dos amigos? dos amados? dos amantes?

Bom, o que importa é que é dia de ganhar presente, néam, e eu bem ganhei o meu:



As flores eu vou matar, eventualmente, mas gentem, o telefone (além de ser rosa) veio com um porta perfume e duas fragâncias da Britney, olha só que mácsimo! Erick achou que vinha com o CD dela também - e, preciso confessar, fiquei meio decepcionada quando descobri que não.

...

E não é só no VD não, todo dia é aquilo, eu passo o dia de bobs fazendo minhas coisas, ele chega do trabalho pouco depois das 4 da tarde, fica um pouco de bobs também, daí pergunta o que eu quero comer, eu digo, e minutos depois o prato se materializa na minha frente:



Esse atum é a coisa mais divina do mundo inteiro, vem com todo tipo de tempero que vocês possam imaginar, e é meu vício mais querido por aqui.

Assim, se isso tudo não é o paraíso, já é meio caminho andado, ok.

...

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

VISITA INESPERADA

Ok, Erick me disse que isso poderia acontecer, mas eu não levei muito a sério. Enfim. Aconteceu.

Tava aqui escrevendo um email e bateram na porta. Como NUNCA aparece gente aqui, e não tinha nenhuma visita de serviço agendada, fiquei meio preocupada.

Eram duas senhoras. Testemunhas de Jeová, gente. É sério? Eu mereço?

Não sei dizer que sou macumbeira em inglês. I'm a macumbeira. (no Brasil isso acaba com a discussão rapidinho).

Achei que se dissesse que não falava inglês as visitas iriam embora, mas imaginem what? O livrinho delas tinha uma página em português. E árabe. E chinês. E tudo mais.

...

Erick me disse que eu deveria dar papo pra elas na próxima vez, porque assim eu poderia treinar meu inglês. De graça.

Que gracinha. Prefiro a escuridão.

TOUR PELA CASA

Bom, esse post é em homenagem à Andrea, que me disse em off que já está de saco cheio de ver foto de rua. Infelizmente ainda não é foto do que ela quer ver (já disse que é difícil ver gente na rua - imagina ver homem. E gato), mas pelo menos não é foto de asfalto...

Já que não posso convidar vocês pra visitarem o cafofo e tomar uns gorós (o que me lembra que esqueci a tequila ice que coloquei ontem no congelador, e... peraí... sim, agora tá tudo cheirando a cachaça por aqui), bom, já que não dá pra trazer vocês até a casa, levo a casa até vocês:


(a sala. Na segunda foto vocês podem ver a janela da frente, com a persiana fechada, e a janela/porta lateral, que dá pra parte da frente da casa - e pro jardinzinho malcuidado do Erick. Foi por essa janela que entrou aquela aranha gigante e, nojo dos nojos, um caramujo gigantesco - que descobri quando fui limpar essa luminária atrás da mesa, e que tive de me encher de coragem pra tirar)


(a entrada da casa, à direita da sala que vocês viram. Meu amiguinho Transport, que impede que todo kitkat e jack's burguer que tenho consumido se transformem em "bagagem extra" - já basta a que trouxe comigo. Na foto à direita, o escritoriozinho, visto da cozinha. Essa porta branca esconde a bagunça que fica embaixo da escada)


(meu cantinho, os robôs de Erick, e a lavanderia, cuja entrada fica entre o escritório e a cozinha. Essa parede de tijolinhos é do banheiro de baixo, que é fofo. E essa máquina aí lava, seca, passa, cozinha, e ainda faz amor com você)


(logo assim que a gente entra em casa, tem essa escada que leva pro mezanino. Atrás dessa muretinha fica o quarto. Dá pra ver como o teto é em forma de telhado de chalé? Essa foto ao lado é a visão que a gente tem da sala, lá de cima, da tal muretinha)


(o armário e a porta do banheiro de cima. Aliás, tomar banho é uma coisa difícil: a gente precisa temperar a água, e demora um tempo pra ela ficar do jeito que a gente quer. Sempre esqueço de temperar antes de entrar na banheira, e acabo levando todo dia um jato de água gelada ou pelando nas costas)


(minha parte do armário, e a vista que se tem dessa janela - mais foto de rua, sorry, Battle. Uma coisa interessante sobre subúrbios: a gente sabe que eles são antigos quando a fiação elétrica é aparente. Nos subúrbios mais recentes, toda a eletricidade é subterrânea. Cool, néam?)


(ao lado da escrivaninha do computador, a cozinha, que é muito fofa)


(os detalhes preferidos de Erick, que é meio metido a chef: os temperos de um lado do fogão, e o socador de temperos do outro - que é igual ao de vários chefs do Food Network. E que ainda não vi sendo usado...)


(passo boa parte do dia aqui, limpando a sujeira do chef. Ao lado, duas coisas que sempre quis ter: uma máquina de expresso, e um pote gigante de M&Ms)


(da janela da cozinha dá pra ver a rua, e esse céu lindo aí - mais de sete horas da noite)

...

Bom, essa é a mansão onde estou vivendo pour le moment. Sintam-se todos à vontade, com uma taça de Penfolds Grange na mão. Ok?

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

A RUA

Essa é a rua onde a gente mora, vista primeiro da direita, depois da esquerda. Geralmente saio pela esquerda, porque é o caminho pro shopping local (chegando no cruzamento, à esquerda) e pra estação de trem (seguindo à direita no cruzamento). Vocês estão vendo gente aí nas fotos? Pois é, nem eu aqui no bairro. É raro ver esse povo australiano nas ruas. Ou estão trabalhando, ou estão dentro de casa. Bom, pelo menos aqui no subúrbio. Todas as casas seguem o estilo colonial; é bonitinho, mas parece que pra todo lugar que você olha é igual.
Aqui, a rua vista do tal cruzamento, com a casa que preciso memorizar pra não me perder. Ela é imensa, e pertence a indianos. Outra coisa sobre subúrbios: aqui o que a gente mais vê é estrangeiro e white trash nas ruas. Quem não é nem um nem outro raramente bota o bico pra fora de casa. Na segunda foto, o caminho pra estação de trem, distante 3 quadras da minha rua (longe o suficiente pra não ouvir barulho, perto o suficiente pra não ser longe).
Aqui um exemplo de passarinho, o menor que vi até agora. Eles ficam assim, todas as espécies possíveis, andando pelos jardins das casas. Outro dia, voltando do mercado, tive que dar uma volta pelo quarteirão pra não passar na frente de um corvo. Bom, Erick disse que era um corvo, eu digo que era um avestruz. A segunda foto eu tirei pensando na Marion, que adora gatinhos (esse tá sempre tomando sol aí em cima da cerca dessa casa, pertinho daqui). A notícia boa é que todos os animais aqui precisam de registro e de andar com coleira. Se não tiverem coleira, a carrocinha pega. O bom é que raramente você vê animais na rua, o ruim é que ainda não posso dizer que seja porque as pessoas são conscientes - pode ser porque os bichinhos viram sabão também.
O muro da casa. Essa é a visão que se tem da rua. Erick mora numa vila com quatro casas, e a dele é a primeira. É a única casa com muro que vi por aqui - geralmente é uma cerca baixinha, um murinho de sebes, ou nada mesmo. A casa é assim: na frente a garagem, em volta um quintalzinho que quero encher de flores, embaixo a sala, a cozinha e a lavanderia, em cima um mezanino com quarto e banheiro. É fofa demais.
Detalhe da entrada, e da minha sacola do mercado. Uma coisa muito boa aqui é que sempre vão te perguntar se você quer uma sacola plástica. As pessoas estão se tornando bem conscientes em relação ao problema do lixo, então no mercado dá pra comprar essas sacolinhas fofas por 90 centavos, e elas duram MUITO. Já comprei essa verde, uma pink, uma vermelha, e cada vez que vou lá procuro uma novidade. Outro dia fui pro cinema com a rosa, amarradona. De repente podem me ver e pensar tipos "olha a garota estranha com a sacola do mercado", mas no Brasil ninguém diria.
Minhas chaves. Meu amigo me conhece bem o suficiente pra ter providenciado cópias diferentes: uma de bolinhas coloridas, uma metalizada vermelha e uma branquinha com um cachorrinho (que, preciso admitir, não me lembro que porta abre...).

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

VERGONHA ALHEIA

Televisão aqui na Austrália é uma coisa meio pobre, são pouquíssimos canais disponíveis. A sorte é que aqui em casa (olha eu, toda à vontade) tem cabo, e já elegi meus 3 favoritos: o E!, o Food Channel e o Fashion TV.

No E! de vez em quando aparece a Gisele, que agora chegou num ponto que nem precisa mais de sobrenome - como Madonna, Diana e aquele símbolo esquisito outrora conhecido por Prince. Tem outras modelos brasileiras também que de vez em quando dão pinta, geralmente as da Victoria Secrets. E tem a namorada do Matt McConaughey. E só de brazuca.

No Food Channel, primeira decepção: assisti um programa do Jamie Oliver, aquele chef inglês da língua presa que parece que está sempre drogrado. Ele tava ensinando a fazer feijoada. Pegou um amigo brasileiro, que também é cozinheiro (só que mais ralezinho), e, numa cozinha tosca, cheia de bandeiras do Brasil, tá lá ele cozinhando um negócio que parecia água suja de privada de posto de gasolina. Nojinho. O que me deixou emputecida foi o anfitrião. Tipos, no programa com o australiano foi uma coisa super fina, cozinha bonita, comida bonita, e tals. Aí me vem um cara com um bigode de português numa cozinha que parecia quiosque de angu do gomes, um nome esquisito (Sante! WTF?), preparando uma comida podre (acho que se eu fizesse a feijoada ficaria melhor! EU!). Mas o pior ainda estava por vir: quando os convidados chegaram, eu quis morrer! Entrou um monte de homem com cara de sujo e cavaquinho na mão, e várias piriguetes com a camiseta enrolada acima da barriga (escrito "pagode" com purpurina, pode?), e elas já entraram sambando, gente! Assim que o cara abriu a porta entrou aquele bando de mulher sambando, fazendo chão, chão, chão e cara de puta pra câmera! Tinha nem música, tenho certeza. Oh my.

Aí passei pra outro canal, fui pro Fashion, porque depois disso, néam, só muita modelo anoréxica e glamour pra compensar. E qual não foi minha surpresa? Música brasileira da mais óbvia cobrindo os desfiles de estilistas brasileiros, com uma ou outra música em espanhol (gente, depois do google não existe mais desculpa pra nada...). Até aí tudo bem. O choque foi na hora dos comerciais: o canal está comemorando o carnival brasileiro! FUUUUCKKKK! Flashes dos desfiles das escolas de samba, totalmente fora de contexto, só imagens de mulheres semi-nuas arreganhando as vergonhas pra quem quiser ver. Não consegui gravar a chamada inteira pra vocês terem idéia do nível de humilhação a que a pessoa chega, mas consegui isso aqui:



E pra quem pensa que ser brasileiro é ser sempre legal, é estar sempre numa nice (como diz a mãe da Renata), é ser reconhecido aqui fora com pulinhos de alegria, vou dizer logo: todas as 3 pessoas que me perguntaram minha nacionalidade na rua responderam da seguinte forma quando eu disse brasileira:

- Uhn.

Só isso, um uhn. As três pessoas. E rapidamente mudaram de assunto. Não sei, mas não acho que uhn seja boa coisa.

Nessas horas, dá vergonha, viu.

DIFERENÇAS

O corvo tá lá fora (mas minha primeira impressão ainda é a de que ele é um gato no cio), e, enquanto vocês tão aí se preparando pra jantar, eu já tô aqui tomando meu café da manhã. Torrada com queijo cottage e bacon, suco de laranja de garrafa (aqui tem marcas com suco realmente bom!), e biscoitinhos amanteigados com recheio de alguma berry que não reconheci (acho que é amora). A fruta taí só pra sair bem na fita, porque sou incapaz de comer tanto logo que acordo.

Aos poucos tô entrando no fuso, já consigo acordar mais tarde, mas tem dia que não sinto sono nenhum e acordo às duas da manhã, e em outros sinto sono demais, vou dormir às oito da noite e acordo às cinco - como hoje.

Fome, fome mesmo, eu ainda não senti. Qualquer pouquinho de comida já me satisfaz, o problema aqui é a qualidade da comida! É bom demais, e é demais, se é que vocês me entendem. Fiquei apavorada no mercado; as embalagens são gigantescas! Você vai comprar um hamburguer e tentam te empurrar toda a comida do mundo por apenas 30 centavos a mais...

Sou quase um zero na cozinha, e só agora estou começando a me aventurar nesse espaço desconhecido - porque senão não almoço, né. O fogão é elétrico, ainda não usei, porque sinceramente me dou melhor com a torradeira! Ontem comi uma meat pie, que é uma das "comidas típicas" australianas. O recheio é meio nojento de se ver, mas até que é bem gostosinho. Isso aí em cima é catchup, mas eu não comi assim, porque não gosto - I'm a mustard kind of girl.

Uma coisa que ainda não tive coragem de provar é o tal do vegemite. Erick tem um pote aqui que, segundo ele (que tende a ser meio exagerado), tem 3 anos. Mas dá pra comer, isso dura milênios depois de aberto. Eu é que não provei mesmo. Tem consistência pastosa, mas o cheiro é de tempero de carne, disgusting, eeew.

...

Erick comentou com o pessoal do trabalho que eu tava tendo medo de andar na rua por causa dos pássaros (ontem tive que fazer um caminho diferente pela primeira vez pra voltar pra casa, porque tinha um bicho imenso na calçada que eu deveria seguir. Acho que era um corvo, mas parecia um peru). Aí um dos colegas dele virou e disse o seguinte:

- Medo de pássaro? Mas porque ela tem medo de pássaro? Vocês não estão acostumados até com leões no Brasil?

Bom, tem o leão do imposto de renda, né. Então tá.

ps1: Isso me lembrou do episódio dos Simpsons no Rio, que foi muito engraçado. Só não foi mais engraçado que o mico da secretaria de turismo querendo processar o Matt Groening... (vejam aqui uma parte)