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quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

CONTAGEM REGRESSIVA

FALTA. UMA. SEMANA.

...

Frio no estômago.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

SOBRE A ESTUPIDEZ FAMILIAR

E minha mãe que não pára de me fazer perguntas idiotas sobre a viagem?

E eu que não sei responder nem metade delas?

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

RUMO À HELENINHA ROITMAN

Notei que minha passagem tinha uma coisa estranha: comprei, obviamente, um lugar na classe econômica. Mas, no trecho Rio-Sydney, tava apontando business.

Marinheira de primeira viagem que sou, liguei logo pra uma amiga que tem me ajudado horrores na preparação da viagem, dando dicas, tirando todas as minhas dúvidas e, principalmente, me acalmando quando piro com a idéia de ficar flutuando no céu dentro de um tubo (gente, isso não é normal!): dona Crisolda.

- Ana, você já ligou pra companhia aérea?

E o medo? Tipos, e se foi um erro e me jogam junto com a peãozada da econômica?

Por via das dúvidas, ligo pra outro amigo, ex-comissário.

- Ana, se forem fazer isso, vão fazer agora ou na hora do embarque. Liga pra companhia.

Aí que liguei hoje, marquei meu lugar nos vôos, pedi comida especial, me inscrevi no sistema de milhagens, fiz várias perguntas idiotas, fiquei amiguinha da atendente, e, como quem não quer nada, falei da troca de classe na passagem.

- Ah, é isso mesmo, Ana. Você deu muita sorte!

Agora me agüentem, tám? Tô indo na classe executiva, people. Assento especial. Conforto. Mimo. Cortininha de Berlim me separando dos índios.

Com tudo isso, quem precisa de tranqüilizante? Lexotam é o cacete! Champagne? Só se for agora!

E DJ, TOCA UM MAMBO!!!!!

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

VIAGEM DE CORNO

A viagem pela Aerolineas é o seguinte:

- 4 horas e 15 minutos até Buenos Aires;
- 2 horas e meia de espera;
- 14 horas até Auckland;
- 1 hora de espera;
- 3 horas até Sydney.

Tenho que estar no aeroporto 2 ou 3 horas antes do vôo, ou seja, no fim, tenho que me preparar para quase 30 horas de viagem.

Gente. Trinta. Horas.

Minha maior preocupação quando soube disso foi o conforto, ou melhor, a falta dele. Imaginem gente te catucando, falando alto, comendo, brigando, ouvindo ipod no volume máximo, peidando, tipos, infernal.

Mas aí, hoje, eu me acalmei.

Hoje eu me acalmei porque me lembrei de que já viajei pra Teresina e pra Fortaleza de ônibus, na época da faculdade.

Em ambas as viagens foram 3 dias apertada num cata-corno da Itapemirim, respirando o mesmo ar que outras 40 pessoas. Como se não bastasse a bunda quadrada de tanto chão esburacado, tinha toda a fauna imaginável de gente tosca viajando junto. Lá dentro só não tinha jegue, mas que tinha muita gente com cheiro de jegue, ah, isso tinha. Aliás, o fedor típico do ônibus era uma maresia de toalha molhada meets suor de peão no sol meets marmita de jabá com jerimum. Parece preconceituoso, mas isso é só porque vocês não estavam lá comigo.

Enfim, realizei que esses dois pesadelos bastam pra transformar QUALQUER outra viagem em brincadeira de criança. E isso me deixou tipo bem mais calma.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

SURPRISE, SURPRISE

Foi bem no finzinho de 2007 – O Ano Das Coisas Que Deram Errado, ou algo assim – que bateu o clique.

Foi numa noite insone, e não sei se foi só a TPM, mas o fato é que três coisas gritaram dentro da minha cabeça. Nessa ordem:

1 – uma puta vontade de sentar na frente do computador e escrever;

2 – uma certeza absoluta de que não quero passar o resto da minha vida dando aula;

3 – um pavor indescritível diante da idéia de ficar presa dentro de um avião por mais de 20 horas – especialmente ao lado de alguma criança ou de algum homem muito, muito, muito gordo;

E eu não tenho escolha: preciso resolver esses três impasses.

Assim sendo, vejamos.

Bom, quase tudo o que eu vejo se transforma em texto dentro da minha cabeça, pedindo pra sair. Não pretendo começar nenhum diário íntimo, então viva a inclusão digital, hein: a internet é democrática e qualquer semi-analfabeto pode ter um blog. Então o problema 1 é relativamente simples de se resolver. Só que o que eu queria mesmo era poder ganhar minha vida escrevendo. O que me leva ao problema número 2:

Se eu olhar bem, vou ver que meio que me deixei levar pro magistério. Aliás, nem preciso olhar bem nada. Uma espiadinha superficial e a verdade grita, mas isso é papo pra mesa de bar e margaritas (ou não. Muito deprê essa coisa de ser frustrada, gente). Posso dizer que a grande tristeza da minha vida é que nunca recebi um chamado, tipos, ser neurocirurgiã, atriz de Hollywood, cantora lésbica de MPB, advogada de bandido, dizáiner de alguma coisa, fotógrafa de pobre-em-preto-e-branco, artista plástica (re-lo-ou, tem menos aluno de francês nesse mundo do que público comprador de instalações envolvendo pêlos pubianos), modeladora de pênis pra sex-shop (isso seria um chamado, néam), gente, qualquer coisa! Mas, com ou sem chamado, resolvi que esse ano não entro em sala de aula. Prefiro vender bijuteria de coco na praia. Preciso encontrar uma saída, e talvez ela apareça não aqui, mas em outro lugar, o que me leva ao problema número 3:

Como sair do Brasil se morro de medo de avião? Bom, na verdade eu ainda nem sei se tenho medinho ou pavor de voar, porque só saí do chão uma vez, e já faz bem um tempo que isso aconteceu. Tipo, uns 27 anos. Mas, a não ser que eu rasgue essa passagem que tá aqui na minha frente, esperando pelo dia 30 de janeiro, vou ter que descobrir quem sou eu a nível de medo. E é claro que não tenho a menor intenção de rasgar coisa nenhuma, néam. O máximo de loucura que posso me permitir é entrar numa farmácia e comprar uma caixinha de lexotam, o que me garantirá coragem suficiente pra enfrentar o avião e chegar viva do outro lado – ainda que seja curtindo um puta barato de diazepan.

Aí 2008 novinho, viagem marcada, decidi que vou aproveitar pra fazer alguma coisa nova pela minha vida também. Eu sei que a gente sempre diz isso, mas, acreditem, eu vou dar meu corpo pro cachorro (sexualmente falando) se não me sair bem em pelo menos dois desses problemas. E, enquanto penso nisso, torço secretamente pra falhar no avião, e não no blog ou na busca de uma nova carreira. Porque sem escrever eu vou ficar deprimida, continuando professora eu vou ficar muito, muito deprimida, e se eu der um chiquilique no avião, vamos combinar: como diz um querido amigo meu, ninguém vai se lembrar disso daqui a dez anos.

Então é isso, gente. Contagem regressiva.

Não tenho mais desculpas. O que eu tenho é 34 anos, uma profissão que odeio, e um passaporte que nunca foi carimbado.

Que 2008 seja O Ano Dos Projetos Que Deram Certo. Vou começar outro blog, procurar um novo emprego, e usar meu passaporte.

E sejam bem-vindos todos vocês com curiosidade e paciência suficientes pra acompanhar meu percurso rumo a 2009!